VAMOS COMEÇAR JÁ HOJE A FAZER DIFERENTE?

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Quando eu era pequena e ia a uma festa de anos de uma amiga acontecia-me sempre a mesma coisa. Acordava cedo nesse dia e o tempo demorava uma eternidade a passar – arrisco dizer que tardava mais do que o tempo de um mês hoje. Escolhia a minha roupa com toda a atenção ao detalhe, preocupava-me com o presente que os meus pais iam comprar para eu oferecer e quando lá chegava ficava muito tímida. Assim, de repente, era apresentada à família da minha amiga, às suas dinâmicas e demorava sempre um bocadinho a sentir-me à-vontade. Com o passar do tempo, com a chegada das outras crianças, começava a integrar-me, e quando estava verdadeiramente divertida e feliz, quando a festa estava no seu auge… puff! Os meus pais chegavam para me virem buscar porque a festa tinha acabado.

Continuo a ter essa sensação em muitas ocasiões dos meus dias mas o grande choque foi quando percebi que na fase final das nossas vidas acontece o mesmo. Infelizmente quando nos apercebemos que temos o tempo contado ou que alguém de quem gostamos mesmo está quase a desaparecer, ficamos com essa mesma sensação de que poderíamos ter aproveitado muito mais, e de que, se soubéssemos, teríamos feito muita coisa diferente. Geralmente as nossas mágoas vão para o que deixámos de fazer e não tanto para aquilo que fizemos. Na verdade queríamos sempre ter feito muito mais. Ter começado a viver a “festa” logo desde o início com o mesmo entusiasmo que tivemos no fim, ter aproveitado mais, ter dito mais coisas, ter feito tudo com mais intensidade e entrega. Basicamente é isso: ter feito! Isso faz-me pensar…

Hoje sabemos que somos o que fizemos ontem e que amanhã seremos o que estamos a fazer hoje. Sabemos também que somos os únicos responsáveis pela nossa própria vida e que, em última instância, só nos devemos alguma coisa a nós mesmos.

O mundo tem-nos vendido, com toda a força e através de todos os meios, a ideia da importância de sonhar, de acreditar e de que tudo é possível se acreditarmos mesmo. Concordo com a génese: é fundamental acreditarmos, mas não é suficiente. Acreditar é o estimulo certo, o nosso call to action, mas fazer é que é diferenciador. E fazer é que significa de facto acreditar, porque se não acreditarmos verdadeiramente, não agimos.

Usar a palavra sonho é um álibi perfeito para remetermos os nossos objectivos a uma quimera lá guardada no campo das utopias, do imaginário com que sonhamos acordados. É imperativo que deixemos os nossos sonhos para a noite, mas que durante o dia estejamos a concretizá-los na prática. A agir. A fazer. A batalhar. A lutar. Nada se conquista sem trabalho, esforço e dedicação. Nunca conseguimos algo só por acreditarmos nisso. A crença é um mero veículo de condução para a acção.

Estamos cada vez mais conscientes disto. De que os sonhos são uma boa alegoria ou boost para agirmos, mas não passam disso.

Roubamos horas ao sono para treinar ou correr, fazemos listas de alimentos saudáveis para comer bem e inspiramo-nos em dicas de receitas para termos uma alimentação mais saudável. E tudo isto é fundamental para o nosso bem-estar. Mas há outra pedra basilar que é preciso inserir nesta equação de mens sana in corpore sano de uma forma igualmente natural e focada: A mente.

Temos, em alguns casos, os conselhos e a motivação da nossa nutricionista, o foco e a resiliência do nosso PT e falta agora concentrarmo-nos neste novo interveniente da receita. Trabalhar a cabeça é trabalhar a alma, as nossas emoções, as nossas capacidades, o nosso silêncio e a nossa paz de espírito. Uma mente sã, ou mens sana, é um requisito para que tudo o resto funcione na perfeição e para termos a resiliência e o empenho para lutar fisicamente na acção de ser saudável, de comer bem, de treinar diariamente.

A psicologia e o coaching estão para a alma como os sonhos estão para a acção. “O sonho comanda a vida”, isto é, os nossos gestos, o nosso presente que determina o nosso futuro. Se existir sonho, se existir esta mente forte, disciplinada, focada e bem resolvida tudo o resto são acções concretas que não podem mesmo fracassar. Acreditar é a base. E acreditar em nós depende desse trabalho introspectivo.

Fazer coaching e trabalhar o nosso lado psicológico é a base fundamental para a equação de sucesso em que o resultado mais não é que o equilíbrio, a felicidade e o bem-estar em todos os campos da nossa vida.

Por isso, sim. Acreditar é fundamental… mas para agir logo de seguida.

É fundamental que comecemos  a agir hoje sobre a nossa própria vida porque se há coisa que ainda estamos longe de conseguir reverter é o tempo. E enquanto demorarmos demasiado a sonhar e remetermos o verdadeiro agir para o fim, vamos ter sempre essa mesma sensação dolorosa de que saímos da festa logo no momento em que nos estávamos a divertir mais e a ser mais felizes. A festa, os nossos dias, a nossa preocupação connosco, com o nosso bem-estar e com sabermos quem somos e o que nos move não pode nunca ser deixada para segundo plano sob pena de não estarmos a viver a vida que um dia gostaríamos de poder ter vivido.

Vamos começar já hoje a fazer diferente?