SE AS MULHERES PARAM, O MUNDO PÁRA!

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Em 1975, há mais de 40 anos, as mulheres na Islândia decidiram parar. Recusaram-se a trabalhar e a fazer as tarefas domésticas, reivindicando salários iguais para homens e mulheres. A greve teve uma adesão de 90% de mulheres. O mundo dos/as islandeses/as parou.

Em 2018, há um ano, no dia 8 de março, saíram à rua 5 milhões de mulheres em Espanha, mobilizando-se contra a violência, as desigualdades e os preconceitos. O mundo dos/as espanhóis/espanholas parou.

Estes dias foram inesquecíveis para quem os viveu e marcaram definitivamente um antes e um depois: não mudou radicalmente a situação das mulheres na sociedade, mas foi um marco de uma forma de luta reinventada que mostrou que as mulheres não se calarão nem baixarão os braços até terem o controlo das suas vidas.

Em Portugal, as desigualdades e as violências contra as mulheres mantêm-se, parecem perpetuar-se; não apenas na intimidade, mas também nas estruturas do Estado. E mesmo os direitos adquiridos parecem nunca estar 100% garantidos. Mas, se é verdade que o machismo não dá tréguas, também é verdade que as mulheres estão empenhadas e unidas na luta.

Em 2019, a Rede 8 de Março, um coletivo formado por várias associações, coletivos e pessoas a título individual que está há quase um ano a construir este processo de Greve, propõe que as formas de luta sejam tão múltiplas quanto as discriminações que as mulheres sofrem. A convocatória abrange, por isso, uma Greve ao trabalho assalariado, uma Greve ao trabalho doméstico e de cuidados, uma Greve ao consumo e uma Greve estudantil.

Os salários das mulheres continuam a ser, em média, cerca de 16% inferiores aos dos homens. Esta diferença significa que, em funções iguais ou equivalentes, as mulheres trabalham  58 dias por ano sem receber. A esta penalização junta-se a discriminação no mercado de trabalho em situações de gravidez ou cuidados à família (descendentes/ascendentes). Por tudo isto e mais, fazemos Greve ao trabalho assalariado.

Para além do trabalho formal, é maioritariamente sobre as mulheres que recai o peso das tarefas domésticas e de assistência à família. Este trabalho invisibilizado e desvalorizado ocupa, em média, 1h45 do dia de uma Mulher, refletindo-se no cansaço e na felicidade das mulheres, em Portugal. Por tudo isto e mais, fazemos Greve ao trabalho doméstico e de cuidados.

As mulheres são perseguidas no seu dia-a-dia por estereótipos de perfeição inatingíveis e irreais. A moda, a publicidade e as outras plataformas de difusão de estereótipos são formas de apelar ao consumo e explorar os nossos corpos e as nossas identidades simplesmente em benefício do lucro. Para além disso, é comummente aceite que no Dia Internacional da Mulher se façam ofertas de presentes e de flores às mulheres, explorando e futilizando um dia de luta e reivindicação. Por tudo isto e mais, fazemos Greve ao consumo.

As escolas, locais por excelência de promoção da educação, são frequentemente mais um local de exclusão e de perpetuação de preconceitos, de agressões machistas e LGBTQI+fobicas. As estudantes são sistematicamente menosprezadas pelos seus inteletos e objetificadas. Acresce ainda a invisibilidade das mulheres que fazem parte da História, da Ciência, da Literatura, entre outros, dos currículos académicos e dos livros de História. Por tudo isto e mais, fazemos Greve estudantil.

No dia 8 de março, faz Greve!

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