Sandra, Helena e Lara

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Há quatro meses, em menos de 24 horas, três mulheres morreram. Duas foram assassinadas. À terceira foi roubada a alma, a vontade de viver, a motivação para continuar.

Não sei como se sobrevive a isso. Não sei como se descobre que o homem com quem vivemos, afinal, não passa de uma besta que acha que tudo se resolve ao murro e ao pontapé. Não sei como se interioriza que temos um laço tão definitivo com uma pessoa dessas, como um filho. Não sei como se diz a uma pessoa destas que a união acabou e que cada um segue a sua vida. Não sei o pânico que se vive quando percebemos que uma viela escura de uma grande cidade pode ser mais segura do que a nossa própria casa. Não sei a dimensão do sofrimento e da loucura que devemos alcançar quando percebemos que, mais do que as nódoas negras que nos deixaram no corpo, ficou o enorme vazio ao enterrar uma mãe e uma filha, mortas às mãos de quem nos devia ajudar a proteger este núcleo.

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