REUNIÃO DE MÃES E ENCARREGADAS DE EDUCAÇÃO

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A cada início de ano escolar verifica-se, nas habituais reuniões de pais e encarregados de educação, que as crianças parecem ser apenas filhas de mãe. Poucas são as vezes em que pai e mãe estão simultaneamente presentes, logo a designação “reunião de pais” é um provável abuso e, por defeito de presença, o correcto seria a designação de “reunião de mães”. Mesmo quando algum impedimento leva à ausência dos pais, a função de encarregado de educação, um propositado e abusivo masculino, é assumida, com maior frequência, por um familiar do sexo feminino do que o contrário.
Verificada esta situação quase compreendo a relutância de alguns empregadores em darem prioridade ou igualdade de acesso às mulheres, nas suas empresas, já que os filhos parecem ser apenas delas. Se a maternidade traz momentos em que as mães não podem ser substituídas, a partir do nascimento, há muitos momentos que poderiam e deveriam ser de responsabilidade partilhada. De partilha vejo, no entanto, muito pouco ou pouco mais do que o ir levar / buscar à escola. A etiqueta com as rotinas de cuidar vem com o nome mãe e, por isso, a mãe trata da comida, da roupa, do deitar, do levantar, do acompanhar nos trabalhos de casa, nas idas para esta e a outra actividade… mas as tarefas pontuais como idas ao médico, o ficar em casa quando as crianças adoecem, o contacto com a escola / professores acabam por ser, também, da mãe, que parece ter sempre mais tempo livre, apesar de ter o seu emprego como o pai.
O curioso é que neste contacto com a escola rapidamente a mãe é substituída quando surgem problemas mais graves, sobretudo de natureza disciplinar. Nesse momento as crianças passam a ter o pai presente, o grande disciplinador ou o defensor da sua cria, contra tudo e contra todos. Por sua vez, em reuniões em que há pais presentes, mesmo estando as mães em maior número, estas prescindem do cargo de Representantes dos Pais / Encarregados de Educação. Poder-se-á argumentar que prescindem de mais uma tarefa, o que é em parte verdade, mas deixam para outros uma representação que poderiam fazer de melhor forma pela experiência acumulada.
Como estamos a iniciar mais um ano lectivo, que tal passarem a aparecer mais pais nas reuniões de escola? A experiência pode ser gratificante e talvez seja tempo dos empregadores começarem a contar com o facto de terem que dispensar os seus funcionários, homens, para que cumpram a sua função de pais. Mais um ponto para a igualdade de género.

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