REBENTAR A BOLHA

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Sinto muito quando ouço “Eu”. Meu. Na minha. Eu nunca. Eu faço. Eu penso.  Sinto muito. Sinto pena. As mulheres e homens só existem enquanto “nós”. Nascem de um umbigo materno para se ligarem, em linhas invisíveis, laços, correntes, em teias, a outros. Por isso, quando ouço “por mim” desejava ouvir “por todos nós”. Porque o mundo não se baliza nas minhas experiências ou vivências nem a minha aculturação é a regra geral ou o dogma residente. Não. Eu sou o que outros fazem de mim e jamais existirei em solidão. Porque os meus pequenos almoços de papa de aveia não se compadecem com o pão duro que outros comem, quando comem, todos os dias. Porque se vivo focada no meu ginásio, há quem corra, diariamente, contra o estigma, contra a desigualdade, para apanhar o autocarro, para apanhar o metro, para não “apanhar na cara”.

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