QUEM TEM MEDO DA LOBA (MÁ)?

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Sexo é bom. Normalmente, se feito a dois, é melhor. É uma função orgânica que integra a vida. Aliás, dá-lhe origem em muitos dos casos.

Sabemos que tanto os homens como as mulheres gostam e precisam de sexo e a velha falácia de que os meninos gostam mais do que as meninas, já foi desmontada há muito tempo.

É por isso que não se entende que nos continuemos a posicionar de forma diferente, relativamente ao sexo, dependendo do género do “praticante”.

Não é que eu não ache natural que os homens e as mulheres se entreguem aos prazeres do leito de forma distinta. Somos anatomicamente diferentes e muitos de nós, temos muito mais coisas que nos distinguem para além das evidentes e físicas. Além disso, se fôssemos todos iguaizinhos, tipo porca e parafuso, a coisa embora mais simples, era capaz de se tornar um bocadinho enfadonha. Além de natural, é saudável.

Mas a diversidade começa e acaba na forma como se faz a coisa. Como se gosta da coisa, como se agarra a coisa e não em gostar ou desgostar da coisa, muito menos em precisar ou não dela.

Das mulheres não se espera que pensem em sexo, mas sim, que no momento em que tocadas com mágico falo, tudo se lhes dispare numa lascívia estreante e claro, diretamente dependente, tanto para nascer como para padecer, do desejo masculino. Se o macho não quer, a mulher não sonha e se ele quiser e ela também, é bom que a senhora disfarce porque um homem com vontade é viril e uma mulher, uma libertina.

A pornografia nos meninos é um pecadilho com graça, nas mulheres é uma tara.
Os divorciados comem todas porque estão carentes, as divorciadas devem tentar não ser comidas, porque estão carentes.
Um homem vai à procura na rua daquilo que não lhe dão em casa, uma mulher esconde-se em casa do que lhe poderão dar na rua.
Uma mulher nunca deve ter sexo no primeiro encontro, dizem-lho as amigas.
O que é que ele vai pensar? O que é que ele, que está doido para ter sexo, de preferência antes ou em alternativa ao encontro, pensará dela se ela quiser também? Que ela é fácil? Ou tão fácil como ele? Porque é que não podemos todos assumir que duas pessoas adultas e no pleno uso das suas faculdades têm “encosto de carnes” com quem quiserem e quando quiserem?

Talvez seja porque um homem “pratica” e não se nota absolutamente nada. Mesmo que apanhe uma doença daquelas mesmo chatas, não se lhe incha a barriga passados uns meses. Já nas mulheres pode notar-se e assim à partida é a única diferença biológica que resulta do sexo e me salta à vista.
Todos esperamos das mulheres a castidade, principalmente que a pareçam. À mulher de César não basta sê-lo, há que parecê-lo. E se não parecem, está visto que são culpadas, perdidas e devassas.

Até o chavão de que os gays são promíscuos não é mais do que um julgamento a encostá-los ao feminino. É um homem homossexual mais promíscuo do que um hetero ou espera-se dele mais recato porque afinal não é macho?

Se não devemos andar todos de genitália em punho, à procura de cópula como os macacos, aliás, a vida ensina-nos a controlar vontades e desejos e a selecionar com aprumo quem nos tempera o corpo, também é certo que homens e mulheres merecem contradanças que não se intimidem com a confiança em saber o que se quer e quando se quer.

No dia em que pararmos de julgar e esconder a líbido das mulheres e a aceitarmos como parte essencial da sua natureza, talvez sejamos mais livres, felizes e, principalmente, acabaremos com os papéis de caça e caçador.
Ou é isso que assusta?