QUEM EDUCA? por Maria João Palma

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A educação tem muito que se lhe diga. Ninguém nasce educado ou a saber educar. Antes do primeiro filho, lê-se tudo, bebe-se toda a informação de quem já é pai, compra-se tudo e mais um par de botas… Quando a criança nasce, o que se anotou no caderninho durante nove meses, de pouco serve. Educar é instintivo. Não há duas crianças iguais. Nem as gémeas. É toda uma aprendizagem.
Na hora de entrar para o Jardim de Infância, aos três anos, há quem pense: ” ainda bem que tudo vai mudar. Nunca mais o meu filho vai fazer birras no supermercado nem vai pedinchar até eu ceder… “. Não é assim. Quase nunca é assim. Os educadores (já há alguns homens nesta profissão) não substituem os pais. Não tomam o seu lugar nem “põem os filhos dos outros na ordem”. Os educadores, embora o nome assim o sugira, não educam. Apoiam. Complementam. A educação é o grande papel dos pais. É por isso que a colaboração escola/família é fundamental e deve ser constante. Há que haver confiança e devemos falar todos a mesma linguagem. Esta é a base.
Quando isto não acontece, o nosso trabalho fica bastante mais difícil. Uma vez, uma mãe ficou de tal modo chocada comigo por ter dito à sua filha que não poderia levar para casa algo que não era seu. Achou que eu iria traumatizar a criancinha. Expliquei-lhe que não, que o que estava certo era que a C. percebesse que era errado o que tinha feito e que, se fosse ao contrário, não gostaria, blá, blá, blá… Claro que a senhora ficou na sua e a C. não levou nada para casa que não fosse dela, porque eu não deixei.  Este episódio  terminou com a menina a sair da escola numa birra desgraçada, a mãe a usar (de certeza) todo o vernáculo que conhecia e a irem direitinhas ao Toys’R us comprar um brinquedo igual ao outro. Assim fica difícil, né?
Não pretendo dar lições de moral a ninguém. Nem quero. Não é esse o meu papel. Quero apenas que se perceba que educar é ajudar a tomar decisões, a gerir conflitos, ensinar que errar é bom e que os sucessos, frustrações e desilusões vão acompanhar-nos pela vida fora. Faço isto enquanto profissional, mas nem sempre o consigo enquanto mãe. Lá está. Houve alguém que me ensinou que me é permitido falhar.

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