PROCURA POR MIM

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O meu grito de revolta contra a escravatura sexual  

É mais um dia que amanhece. Um dia igual a tantos outros que tenho vivido nos últimos meses, ou será que já passaram anos? É sempre uma incógnita. Infelizmente, há muito que o tempo parou de contar para mim: quase nunca sei as horas e engano-me sempre nos dias da semana. Acordo, vejo a luz do dia lá longe, do outro lado da pequena e redonda janela: velha, ferrugenta, de vidros baços e em desalinho. E convivo, de imediato, com a incerteza e o medo de mais umas longas horas de luta pela sobrevivência, pela dignidade e, acima de tudo, pela liberdade. Desejo com todas as minhas forças alcançar o que está para lá desta janela, poder transformar o desconhecido de hoje em tudo aquilo que sonho conhecer. Sinto-me como se tivesse deixado de saber de que é feito o mundo, como é a natureza, com que intensidade brilha o sol, qual é o peso da chuva, a sua cor, o seu sabor. Quero fugir daqui, parar de sofrer, recomeçar de novo, mudar de vida, sentir que existo.

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