OS SINAIS

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Ela engole um soluço todos os dias. Fica ali, guardado entre as amígdalas, que nunca tirou em miúda, e a epiglote. Chora no banho com a água a tombar-lhe na cabeça e porque os olhos inchados terão sempre a justificação da água quente, do banho prolongado, da toalha esfregada em excesso para sair a maquilhagem. Também chora à noite, quando ninguém ouve, baixinho, e procura respirar devagar para que o colchão não se agite. Ninguém vê o turbilhão máquina de lavar em modo centrifugação que lhe entope o estômago. Nem o nó no peito. Nem como lhe custa encher o peito de ar mesmo quando respira fundo.

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