Obrigada. Só isto: obrigada.

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Felicity Jones stars as Ruth Bader Ginsburg in Mimi Leder's ON THE BASIS OF SEX, a Focus Features release.

Quando
as luzes se acendem e as pessoas se levantam para seguir levemente as suas
vidas, tenho lágrimas nos olhos que vão escorrendo quando outras as obrigam.

(Nem dei por elas, surgiram simplesmente de algo mais de
dentro que levo alguns segundos a compreender.)

O meu
namorado debruça-se sobre mim, limpa-me uma ou duas lágrimas e comenta
“gostaste mesmo do filme”, não sei se como quem diz vá-se lá perceber as mulheres ou se como quem pergunta o que há
neste filme para fazer chorar.

Ele
não compreende – como poderia? – que as lágrimas que me escorrem não são de
empatia, de tristeza ou sequer daquelas que choramos quando vemos um filme
muito bom. São lágrimas de gratidão.

(Talvez de um pouco de revolta, também, como a sentem todas
as mulheres que, no que há de mais profundo em si, carregam este reconhecimento
da injustiça e da desigualdade. Mas principalmente de gratidão.)

O
filme que acabei de ver chama-se “Uma luta desigual” e a mulher que me encheu
deste enorme sentimento de gratidão – e bênção – é Ruth Bader Ginsburg.

Saímos
da sala de cinema de mão dada e as lágrimas prosseguem – a verdade é que não
sou grata apenas a esta mulher, mas sim a todas as mulheres que deram um passo
(um passo que seja, por mais pequeno que seja) para incendiar uma centelha
desta luta desigual pela igualdade.

A Ruth
Bader Ginsburg, mas também a Hildegarda de Bingen. A Emmeline Pankhurst. A Simone de
Beauvoir. A Katherine Johnson. A Snu
Abecassis. A Natália Correia. Às Três Marias. A Maya Angelou. A Benazir Bhutto.
A Marielle Franco. A Chimamanda Ngozi Adichie. A Malala Yousafzai. A todas as
Capazes. E a tantas outras.

Obrigada
a todas as mulheres que foram sementes deste caminho tão duro – e tão
(demasiado) longo. Ainda que, como na Parábola do Semeador, algumas tenham
caído entre as pedras, outras tenham sido esmagadas pelos espinhos, outras
levadas pelos pássaros, algumas (tantas) caíram em terra boa. Deram frutos,
bons frutos.

Lamento
profundamente que tenham sofrido. Dói-me em cada pedaço de mim que tenham de
ter sofrido. E é dessa dor, dessa revolta, que nasce esta gratidão imensa a
todas estas mulheres que me abençoaram. Carrego-as comigo em cada passo que
dou. Porque me deram tanto, me permitiram tanto. Porque lhes devo a liberdade e
a igualdade que já conquistámos e de que usufruo todos os dias. 

Obrigada.
Prometo ser semente e continuar a fazer da terra a melhor que conseguir para
receber quem me seguir.