O NATAL LONGE DO NOSSO PAÍS 

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Dezembro, um mês tão especial. Chega o frio, as mantas quentinhas, as pantufas, os filmes de Natal, nem que sejam aqueles repetidos mais de 300 vezes que só fazem sentido porque é Natal, as comidas deliciosas, as bebidas que confortam, as camisolas de lã, tudo para aquecer a alma e deixar as pessoas mais felizes, mais próximas.

Digam o que disserem o espírito de Natal é único. Sempre foi o que senti. Dezembro vai ser sempre o meu mês preferido. Faço anos, é Natal, e logo a seguir vem a passagem de ano. Infelizmente existe muita gente que passa o Natal longe dos seus e que se desencantou por completo: “é um dia como os outros.”, “o Natal é só consumismo”, ” já nem me lembro, é só para os miúdos”. Para mim não. Não partilho desta opinião e recuso-me a pensar assim. Recordo com carinho todos os natais. Desde a decoração da árvore com o meu irmão, as bolinhas de chocolate que pendurávamos na árvore, a estrela no topo. Na lareira os sapatinhos. As luzes! Espalhavam magia, as luzes a piscar. No dia, a confeção dos pratos, o cheirinho a canela, as rabanadas, os sonhos, o bacalhau. A lareira e o seu calor. As risadas da família reunida. A meia-noite e as trocas de presentes. Quem somos nós sem as nossas memórias?

Nestes últimos anos, em que me encontro fora do país, já não sinto que o meu Natal seja o mesmo. Infelizmente perdeu um pouco da sua magia porque não consigo estar presente na mesa da Ceia de Natal. Não consigo decorar a árvore com a família, não consigo abrir os presentes à meia-noite. A verdade é que uma sensação de nostalgia e mesmo de culpa passou a estar sempre presente nestas ocasiões. A saudade toma conta de tudo e começamos a imaginar o que estaríamos a fazer naqueles momentos se estivéssemos no nosso país, com a família e os amigos. Estar longe não é fácil, nunca vai ser. Perdemos um pouco da nossa identidade, do nosso ADN. Somam-se a isso as dificuldades relacionadas com a adaptação a uma cultura diferente, uma língua diferente. É precisamente nestas épocas especiais como aniversários, Natal e passagem de ano que a situação fica mais complicada. O que fazer? Não há uma fórmula milagrosa. Para mim o importante é, mesmo longe… estar perto.

Aproveitamos as novas tecnologias e abusamos da internet e do telefone para encurtar as distâncias e ficarmos mais próximos das pessoas com quem gostaríamos de estar, marcando a nossa presença. Queremos estar presentes fisicamente mas o mais importante é estarmos no coração de quem amamos.