Não quero ter sorte

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– Olá. – disse ele, de forma meio arrastada, depois de se ter sentado nas três escadinhas que dão acesso ao andar inferior do comboio, mesmo à minha frente.

Não devia ter reagido. Foi estúpido. Podia ter corrido mal. Mas foi instintivo e, para mais, continuava ao telemóvel. Ter alguém do outro lado dá-nos sempre uma falsa sensação de segurança, como se ao primeiro sinal de alarme eu conseguisse puxar pela mão o desgraçado que estava do outro lado da linha, a 300 Km de distância, e obrigá-lo a salvar-me o dia (porque tem de ser um homem a salvar o dia, não é?).

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