MULHERENGOS E RAMEIRAS

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É puta. É rameira. É bêbada. É tonta. É burra. É oferecida. Mulher de extremos é sempre qualquer coisa má. Porque homem que dorme com muitas mulheres, é mulherengo. Mas mulher que se deite com uma parafernália de gajos, é uma vaca. Não é uma homerenga. Não. Não é uma Don Juan. É uma prostituta. Não é uma conquistadora. É uma oferecida. Porque a ela lhe está vedada a liberdade do seu corpo aos olhos do mundo. Porque o “demais” está inscrito na social genética moralista. Como se houvesse um limite. Dez no currículo ainda vá. Quinze é muito. Demasiado. Quinze? Uma cabra. Vai com todos. Porque para ela, a mulher, há um limite intransponível de recato e decência. Como se fossem valores intrínsecos à sua condição de mulher decente. Porque mulher com decote é aquela que está a “querer levar com ele”. Mas o peito musculado do homem, numa bacoca t-shirt colante, é de quem se cuida. De quem tem vaidade no que trata. Mulher de saia curta é vagabunda. Quer que olhem. Quer que falem. Quer que cobicem. Quer mais qualquer coisa. Está pedi-las. E as calças justas com que ele sai à noite é de quem revela os glúteos firmes. Homem de calça justa é macho. É de homem que sabe o que vale e o mostra com orgulho.
Mulher que chega a casa e prepara um jantar ao ritmo de um copo de vinho, é fraca. Precisa daquilo para relaxar. Porque a cerveja que ele tira do frigorífico para ver o futebol é um adereço, com certeza. Como um brinco que ela coloca quando sai à noite. Mulher que bebe duas caipirinhas numa hora, é coitada. Quase adita. Sem rei nem roque. Vai acabar a vomitar-se porque não aguenta. Homem que engole um whiskey ou dois depois do jantar é maduro. Conforta a digestão nesse ritual boémio. Mulher é bêbada. Homem é ébrio.

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