JULGADA POR FALAR. MORTA, SE CALAR.

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É uma decisão impossível, certo? Mas foi esta decisão que uma mãe teve que tomar, nestas mesmas e exatas circunstâncias, neste caso, já decidido pela Relação de Lisboa. Impediu a menor de estar com pai sem vigilância, e apresentou queixa-crime. A criança decidiu falar na escola primeiro, o que muito contribuiu para que o caso não fosse automaticamente relegado para a “alienação parental”. Ainda assim, vales e montanhas foram atravessados para que se pudesse dar como provado o relato da criança (que fez, espontaneamente, coerentemente, com palavras próprias de uma criança, várias vezes). Ora vejam: «Da análise critica de todos os elementos de prova acima mencionados, o Tribunal conclui que a menor não foi instrumentalizada pela mãe. Não obstante a existência de um conflito entre os progenitores quanto ao montante da pensão de alimentos, o certo é que a menor apresentava uma cicatriz no grande lábio esquerdo e que a perícia pedopsiquiátrica conclui que há fortes indicadores da veracidade do relato do abuso feito pela menor. (…) Não existe prova abundante de que as dificuldades postas pela mãe às visitas das menores ao pai se devessem a outros factores que não fossem essencialmente o bem-estar das menores. A perita pedopsiquiatra, quando ouvida em audiência, referiu os motivos que a levam a afastar a hipótese de instrumentalização da menor pela mãe. (…) os depoimentos das educadoras de infância confirmam a existência de indicadores de alteração de comportamento da menor na escola. O que confere credibilidade ao relato da mãe, que menciona alterações de comportamento da menor em casa posteriormente ao abuso.»

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