JULGADA POR FALAR. MORTA, SE CALAR.

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Em guiões sobre alienação parental, alguns deles disponíveis online, pode ler-se que a separação ou um contexto de separação deve ser lido pelo julgador como indício de falsidade da denúncia, quer em caso de violência doméstica, quer em caso de abuso sexual. Tratar o contexto de separação como indício de falsidade de denúncias é incorreto, quer do ponto de vista estatístico, quer do ponto de vista científico. Aliás, basta fazer um simples exercício de lógica para concluir que não é possível retirar qualquer ilação – nem de falsidade, nem de veracidade – de uma queixa, pelo mero facto de ser feita num contexto de separação ou processo de divórcio. Que mãe (ou pai) se mantêm numa relação com um pai (ou mãe) sobre o qual tem fortes suspeitas (ou a certeza, como aconteceu aqui, em que a mãe surpreendeu o pai durante um abuso sexual do filho) de abuso sexual? Que mãe que ama os filhos, quando confrontada com o impensável, não faz o possível (e o impossível) para, imediatamente, proteger a criança? O contrário seria anómalo (e, por vezes, acontece). Estranho seria que uma mãe acusasse o pai da criança de abusos sexuais, mas continuasse a viver com ele, mantendo a relação. É da mais básica evidência que queixas por abuso sexual ocorram imediatamente antes ou logo após uma separação. Daqui nada se pode retirar quanto à sua credibilidade.

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