JULGADA POR FALAR. MORTA, SE CALAR.

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Não é de espantar. O sistema judicial, como qualquer sistema social, reflete as perceções e opiniões dominantes na sociedade (mesmo as não confessadas). E a nossa sociedade parte, ainda hoje, do ponto de partida da mulher mentirosa. É a nossa reação imediata quando ouvimos uma mulher a queixar-se, especialmente quando se queixe de violência doméstica. Não é por acaso que temos magistrad@s do Ministério Público com este tipo de discurso, ainda que apenas o repitam em privado (citação em discurso direto): «Posso dizer-lhe que 90% das queixas de violência doméstica que aqui chegam são falsas. São mulheres que usam o processo-crime para os casos de divórcio, de regulação das responsabilidades parentais e que não são realmente situações de violência doméstica. (…) Então quando chega aqui uma senhora, com o seu próprio advogado, sem ser oficioso, com um discurso muito articulado, que sabe muito bem o que dizer e o que quer, desconfio logo» (do estudo de Madalena Duarte, aqui).

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