JULGADA POR FALAR. MORTA, SE CALAR.

4356


Peço-vos, novamente, que imaginem comigo. Imaginem que são mães de uma criança pequena, uma menina de 2 ou 3 anos. Imaginem que já estão separadas há algum tempo do pai da criança e têm alguns conflitos de ajustes sobre a regulação da guarda e da residência da criança. Imaginem que, também por força destes conflitos (mas não só), o pai da criança inicia um conjunto de comportamentos preocupantes: telefonemas constantes, agressivos ou insultuosos, ameaças e intimidação. Imaginem que, por razões pessoais do pai (da sua vida), os comportamentos tornam-se ainda mais preocupantes: ameaças de morte e/ou suicídio, desorientação na sua vida pessoal (perda de emprego, tentativas de suicídio, episódios de perda ou diminuição de saúde mental, início ou aumento de consumos de droga ou álcool), visitas inusitadas à vossa casa e/ou local de trabalho, utilização da entrega da menor como pretexto de ameaças, etc. Nunca foi fisicamente agressivo convosco, nem com a criança. Por ordem do tribunal ou nos termos do acordo de guarda, todas as semanas têm de entregar a vossa filha ao pai. E têm de o fazer mesmo e enquanto assistem à decadência progressiva do estado de saúde mental ou da capacidade de gestão das emoções daquele pai. E têm de o fazer, mesmo após terem recebido ameaças de morte (ou de suicídio). Têm de o fazer porque, se violarem o acordo ou incumprirem alguma ordem do tribunal, correm o sério risco de serem “acusadas” como alienadoras parentais, bem como correm o risco de serem “penalizadas” no tribunal de família.

Ler artigo completo ...