INVISÍVEL AOS OLHOS

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Encontrei-a sentada, escondida, no murado branco ao lado do wc masculino. Uma pele castanha, bonita, ladeada pelos caracóis simétricos, “enjubados”. Uns olhos baixos, queixo tombado no peito. Cruzava as pernas desnudas, roliças, e pousava as mãos azuis no colo. Umas luvas nos dez dedos a transpirar-lhe as mãos. Ao lado, um saco do lixo de 50 litros. Saí e olhei-a. O defeito profissional de quem olha para a periferia da vida, de quem tem o olhar camaleónico dos ângulos mortos.

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