O INDIANO QUE NÃO PARAVA DE SORRIR

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A camisola com o número 7 foi comprada na noite do jogo, na loja de um indiano no Príncipe Real. A mãe não tinha trocos e a Tia G ofereceu ao Eduardo,  de 5 anos, aquele que (nem ela sonhava) seria o melhor presente de sempre. O Indiano-que-não-parava-de-sorrir vestia também a camisola de Portugal quando recebeu a nota de 10 euros. Ainda na loja, o Eduardo vestiu o Ronaldo com a ajuda do amigo sorridente. Deram um solene aperto de mão e olharam-se mutuamente, orgulhosos das cores que envergavam. Acho que foi nesse momento que o puto decidiu que “só tirava a camisola no primeiro dia de aulas”. Pelo menos foi o que me disse,  mesmo antes de adormecer extenuado, nessa noite em que foi campeão. Eu vi-o fechar lentamente os olhos no banco de trás do carro, entre buzinas e rateres de motos e os olhos fecharam-se lentamente porque estavam cheios de bandeiras, gritos roucos, abraços do Nobre Povo, lágrimas de desespero, traças  de amor  e de um golo  épico de sonhador que nunca deixou de acreditar nele, mesmo quando ninguém acreditava.

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