FEMINISTAS: ONDE ESTAVAM COM A CABEÇA?

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É engraçado, porque se há coisa que uma mulher, com letra grande, sabe fazer, é sorrir no meio da maior miséria. Foi o que fiz, como mulher, ao ver o documentário da Netflix intitulado “FEMINISTS: What were they thinking”. Sorri muito e chorei muito. Em público e em privado, because the personnal is political. É engraçado, porque quando li o título assumi imediatamente que a tradução portuguesa seria “Feministas: onde estavam com cabeça!?”, que é como quem diz, assumi que se tratava de mais uma narrativa de responsabilização das feministas por todas as desgraças do mundo. Sim, porque é engraçado, mas as mulheres já são o bode expiatório dos males da história há mais de 2000 anos. Desde a mordidela na maldita maçã à eleição de idiotas como Trump e Bolsonaro, as mulheres [e seus desejos de conhecimento e igualdade] têm sido apontadas como responsáveis por homens sábios por todo o mundo. É engraçado, porque estes homens sábios  [e algumas mulheres] concluem, sabiamente, que o aumento do ódio, do radicalismo, ou do populismo nas sociedades ocidentais é o resultado dos movimentos feministas e LGBTI, que vieram exigir direitos iguais, reconhecimento, visibilidade, respeito. Porque homens por todo o mundo deixaram de poder coagir e assediar mulheres e chamar-lhe sedução ou “excluir rabetas do exército” e chamar-lhe cumprimento da lei, é natural que haja hoje tanta confusão sobre o que é justo e o que é certo. E é engraçado, porque a mim, que sou mulher e, naturalmente, menos sábia, parece-me que estão a dizer – admito, nas minhas infindáveis limitações, estar errada – que as mulheres deveriam ter ficado caladas. Que as pessoas LGBTI deveriam ter ficado caladas. Parece-me estarem a dizer que a sociedade era muito mais simples e menos conflituosa quando só havia dois géneros (e sexos) – homens, com letra grande, e mulheres, com letra pequena – e cada um sabia o seu lugar. Quando não tínhamos de nos preocupar com a sensibilidade d@ outr@ e respeitar a diversidade, orientações sexuais, identidades de género, preferências de tratamento ou de formas de cumprimentar. Era mais fácil quando podíamos só “grab’em by the pussy” com a certeza do silêncio. E é também engraçado, porque me parece que estes homens sábios estão a dizer o mesmo que quem acha que estamos a viver um momento único na história.

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