Feliz Dia da Mulher!

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Em 2019!, em Portugal, ainda há sentenças que desculpabilizam abusos sexuais a jovens, pois ao dançarem com os seus agressores criaram um clima de sedução mútua. Temos decisões judiciais relativas ao corpo da mulher que desculpabilizam erros médicos com o facto da sexualidade da mulher não existir após os 50 anos. Temos casos de violência doméstica menorizados por conceitos religiosos ou fazendo fé no bom senso e arrependimento do agressor (até porque todos sabemos que um pedido de desculpa apaga uma qualquer nódoa negra, e há agressões que são reflexo de actos de amor impulsivos). Temos tanta confiança nos nossos agressores e no seu arrependimento que, muitas vezes, deixamo-los voltar para junto da vítima, ainda que os números nos digam que as mortes de mulheres às mãos dos companheiros violentos, e muitas vezes já sinalizados, não param de aumentar. Ainda há mulheres preteridas em determinados empregos porque podem ser mães, e pais que ficam felizes de esperar um petiz rapaz porque o mesmo não pode engravidar. Uma rapariga que sai a noite e bebe uns copos a mais tem que ter o cuidado de não se “pôr a jeito” porque pode apanhar “rapazes que se deixam levar pelas hormonas da idade”. Qualquer mulher que passeie pelo nosso Portugal em zonas em que existam mais de meia dúzia de pessoas, em horas perfeitamente normais, consegue ouvir piropos indesejados, ainda que o piropo tenha sido criminalizado. Por isso não precisamos apenas de leis. Não precisamos de mais um dia.

Urge mudar mentalidades.

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