Feliz Dia da Mulher!

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Oficializado pela ONU em 1975, o Dia Internacional da Mulher pretende homenagear as conquistas políticas e sociais da mulher. Decorridos 44 anos da data, impõe-se comemorar as conquistas da igualdade! Igualdade salarial, igualdade de direitos, igualdade de oportunidades. Mas, afinal… Uma leitura rápida do relatório sobre Desigualdade de Género, divulgado pelo Fórum Económico Mundial, diz-nos que na Europa Ocidental serão necessários mais 61 anos para que exista igualdade de género plena, mais 202 anos para atingir igualdade total no que respeita às oportunidades económicas entre mulheres e homens, e precisaremos de mais 14 anos para erradicar desigualdades na educação, a nível mundial.

Impõe-se alterar a felicitação inicial: Feliz dia a ti, Mulher, que lutas há 44 anos para um objetivo cujos frutos, com sorte, serão vistos pelas gerações vindouras.

No entanto, ressalvemos os progressos atingidos neste país à beira mar plantado! Mas, afinal… lendo atentamente as estatísticas da APAV, ou mais descontraidamente as gordas dos jornais com que acompanhamos o café da manhã, ficamos a saber que treze pessoas morreram vítimas de violência doméstica só no início de 2019, das quais 12 foram mulheres. Além de ser a temática do meu desabafo, a especificidade de salientar o género prende-se ao facto de ouvir, mais vezes do que gostaria, que os homens também são vítimas, mas o feminismo não os retrata. É certo que os homens também são vítimas, assim os números o mostram, não obstante, na amostra representada, constituem 8,4%. Não sendo desprezável, pois uma vida humana não o é, nem nunca será, não me parece sequer comparável. A esperança na geração vindoura também se vai esvaindo assim que leio notícias dando conta do aumento de violência no namoro em valores que representam 60% em três anos (INMLCF), sendo 85,7% das vítimas do sexo feminino.

Impõe-se uma nova alteração à felicitação inicial: Feliz dia a ti, Mulher, que lutas há 44 anos para um objetivo, independentemente de constatares que a geração vindoura terá igualmente de lutar, pois os objetivos estão longe de estar alcançados, podendo mesmo observar-se um retrocesso.

Não obstante, o feminismo é parte do nosso dia-a-dia, há uma mudança observável e  estes casos têm sido considerados. Foi até aprovada uma nova lei da paridade e isto leva a mais mulheres no poder! É uma mudança de paradigma. Vamos passar de 33% para 40% de mulheres em cargos e órgãos de decisão política e administração pública. Mas, afinal… A nossa noção de paridade é exigir 40% de mulheres em cargos de chefia? Então, mas se há 20 anos que há mais mulheres a frequentar e concluir cursos superiores do que homens, e se a escolha das chefias em Portugal é feita única e exclusivamente por meritocracia, elas não deveriam até de ser mais representativas nesses lugares? E se não mais, a paridade não deveria, sem lei, andar à volta dos 50%?

Afinal…

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