EUROS: MULHERES AO COMANDO! por Bárbara Barroso

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Quando me desafiaram a escrever sobre economia e finanças pessoais para a Maria Capaz fiquei muito feliz. Não só porque é um tema sobre o qual trabalho e estudo há vários anos, mas também porque acho que as mulheres têm urgentemente de perceber que precisam de assumir o controlo das suas finanças e não delegar nos homens, ou noutras pessoas, a gestão do seu dinheiro.

Estava já a fervilhar com vários assuntos que poderia escrever quando o telefone tocou. Era a Mariana. Estivemos um bom tempo a conversar e, depois de desligar, pensei que tinha de contar a história. Voltei a telefonar-lhe.

“Mariana, posso contar a tua história na Maria Capaz?”, perguntei.

A resposta foi pronta: “Podes claro. Não quero que mais mulheres passem por aquilo que estou a passar. Peço-te apenas que preserves a minha identidade, até por causa dos meus filhos”.

“Claro”, respondi.

Foi então que deixei os números de parte, as estatísticas, e sentei-me a escrever.

A Mariana é mãe de dois filhos e está a atravessar um processo de divórcio, não diria litigioso, mas que poderia ser mais amigável. Está actualmente atolada em dívidas e metade delas nem sabia da sua existência. E porquê? Porque se demitiu da função de gerir as suas finanças pessoais. Tal como outras mulheres, confiou cegamente no marido. Foi capaz de tudo, menos de gerir dinheiro.

“O erro foi assinar uns papéis do banco que ele me trouxe uma vez. Eu nem olhei. Afinal foi sempre ele que tratou de tudo”, disse.

A Mariana está desempregada há uns quatro meses e ainda está a tentar resolver o problema com o banco. Até meio do ano passado tudo corria bem, pensava ela. O casamento já não ia de vento em popa mas, financeiramente, não havia problemas. Até que chegou uma carta do banco. Como o marido estava em viagem, ela decidiu abrir a carta. Quando viu o conteúdo… nem queria acreditar. “Era o banco a ameaçar que nos ia tirar a casa se não regularizássemos a dívida”.

Tentou telefonar para o marido, mas como não estava a conseguir falar com ele, ligou directamente para o banco (algo que me confessou já não fazer há uns bons anos).

E foi naquele dia que descobriu que tinha um empréstimo de 50 mil euros que desconhecia por completo. Como foi dada a casa como garantia, se a dívida não fosse regularizada, teria de entregar a casa. Entrou em pânico.

 

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