DIÁRIO DE UMA FIBROMIALGIA QUE NÃO ME VENCE! – PARTE II

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Hoje partilho convosco a minha tentativa de voltar a correr na passada terça-feira.

Não corri durante o inverno porque, quem sofre de fibro sabe do que falo, já é tão difícil suportar o frio sem estar a correr, quanto mais a correr. Com o vento gelado a bater na cara que parece que a vai cortar, com o ar frio a entrar pela boca dificultando a respiração, com as articulações a doerem horrores e os músculos parece que não aquecem. Esta é a razão de quem tem este “acessório” não correr no inverno.

Na terça-feira começou a chover enquanto estávamos a fazer o treino, a água gelada parecia pequenos vidros a entrarem no corpo, a roupa ensopada fazia-me doer os joelhos, ombros e pescoço… tive de voltar e deixar o grupo. A sensação de frustração e a força que estava a fazer para as lágrimas não caírem, para não dar ainda mais parte fraca, para me mentalizar que tive mesmo de desistir, que não tinha outro caminho, não foi fácil. Nunca é fácil gerir o sentimento de frustração e de desistência. Nunca, em momento algum, desisti de uma prova, por mais dura que estivesse a ser, e vi-me obrigada a desistir de um treino.

Entrei rapidamente na casa de banho e tentei enxugar-me ao máximo mas, claro, em vão. Perguntei a mim mesma uma vezes “porque é que não trouxeste as coisas para tomares aqui banho?”. Tudo o que eu queria e necessitava naquele momento era de água quente, bem quente mesmo.

Acabei por me ir embora, desejosa de chegar a casa, de me colocar na banheira, com água bem quente a bater-me nas costas. Até o bater da água doía.

Mais do que a dor da água a bater, das articulações a doerem, a frustração era o que doía mais. Estava completamente de rastos. Como é que é possível não conseguir correr mais? Apenas tinha corrido cerca de 300 metros. Eu que fazia 10 quilómetros numa boa. Eu que já fiz uma Meia Maratona. Viver com a frustração não é fácil. Quando já conseguimos mais do que agora. O corpo colapsou e ter de lidar psicologicamente com isso não é fácil.

Mentalizar-me de que ainda não é altura de retomar as corridas, que ainda não está calor o suficiente para tal, não é fácil. Ter de me mentalizar que um dia voltarei a correr os tais 10 quilómetros, que voltarei a entrar em provas, que voltarei a superar o meu tempo… É difícil, muito difícil mesmo.

Mas o caminho é não desistir, nem dar-me por vencida. O caminho é ir em frente. Melhores dias virão e eu sei disso. É acreditar!

No dia seguinte voltei aos treinos de crossfit. Não posso correr, então vou treinar. Há sempre alternativas, e enquanto o faço, o sentimento de angústia e frustração acaba por ficar mais pequeno. Acaba, de algum modo, por ser superado.

E é esta a mensagem que vos quero passar. Há dias péssimos, que nos deitam ao chão, que nos fazem duvidar de todas as nossas capacidades, que nos fazem chorar, que nos fazem perder todas as esperanças. Há, sem dúvida que há. Mas há sempre um amanhã e vai ser melhor. Um amanhã em que vão superar-se, um amanhã em que vão conseguir fazer, um amanhã que vos vai voltar a colocar um sorriso no rosto.

E nesse amanhã posso não correr os 10 quilómetros como estava habituada, posso apenas correr 1, ou menos de 1, mas estarei cada vez mais perto de voltar a fazê-lo. Nesse amanhã sabes que vais evoluir, sabes que és forte e sabes que vais vencer.

Se hoje é ou está a ser um dia menos bom, tens o amanhã. Nunca te esqueças disso!

Amanhã vai ser muito melhor!

Como canta a Mariza:

“É preciso perder

Para depois se ganhar

E mesmo sem ver

Acreditar!”

Acreditem!

Diana Florindo | www.nomoustache.com | contact@nomoustache.com