DE QUE LADO ESTÁS?

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O que realmente me choca nas eleições do Brasil não é que exista um Bolsonaro, já que existem muitos e muitas pelo mundo todo.

O que me choca é que, seja sob que pretexto for, pessoas que eu pensava serem de bem, no Brasil e em Portugal, não tenham vergonha de entregar o seu apoio ou o seu voto a um homem que ridiculariza a cada passo todas as conquistas que a humanidade tem feito. A um candidato que se afirma racista, que defende o fim das reservas indígenas e naturais, que afirma que as mulheres devem ganhar menos porque engravidam, e as insulta, alegando que “nem merecem ser violadas”. E isto não é um elogio, garanto-vos!

Um tipo que, em 2018, diz que prefere um filho morto a um filho gay e que acabará com todos os seus opositores.
Quando isto se passa na Coreia do Norte, em Cuba, na China ou na Venezuela, ficamos horrorizados. Qual é o critério?
É claro que o mundo que desejo para os meus filhos é um mundo sem corrupção mas, antes de mais nada, sonho que este planeta venha a ser um lugar de ética, de justiça, respeito e solidariedade.

Tenho a certeza que criarei muitos desafectos com o que vou escrever aqui, mas aproveitando a tolerância que tantos demonstram ter com gestos “bolsonaristas”, digo-vos que considero absolutamente revoltante e inaceitável que alguém diga que ser misógino, fascista, racista e homofóbico é um mal menor.

Isto não são questões de educação mas de valores morais, de princípios, e quem não os tem não merece que oiça, que leia, ou que comente e muito menos é digno de todo o trabalho que faz quem luta por um mundo melhor, até para os desumanos ou imbecis.

À minha mesa, na verdadeira, na virtual e na do meu coração, no lugar onde sento os meus filhos e lhes falo do futuro, não quero que também conviva gente sem carácter, que são todos, mas todos, aqueles que acreditam que o destino de quase cinquenta milhões de pessoas pode ser entregue a um monstro da idade média pelo bem de uma luta política. Estas eleições não são entre direita e esquerda mas sim entre uma sociedade humanizada e inteligente e o atraso intolerante e imbecil que mata – e que eu não quero perto de mim.