CARTA ABERTA AO AMIGO DOS PRETOS E DOS GAYS

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Querido João,

Eu sei que no teu tempo a coisa era complicada. Não se dizia nada a ninguém e ia-se a umas saunas ou tinha-se uns amigos que padeciam da mesma “doença”. Casava-se com menina de bem, casadoira, boa dona de casa e parideira. E tudo às escuras, para não se ver que naquele peito não havia pelos e abdominais definidos. Nem uns ombros largos ou uma cintura direita. Pronto. Serviço feito e nasciam os filhos que se impunham. E continuavam as saunas e os encontros interditos. Mas isto… só os sortudos e intelectuais da altura. Aos outros, por vezes, destinava-se uma vida de clausura. Ou solteiros ou mal casados. O medo da prisão. O medo das palavras. Ai, como é que era? Ah… Paneleiro. Medo dos risos bêbados do “lá vai o panisgas”.

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