As palavras que matam

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Chega a hora em que as portas de casa se fecham e o
teatro acaba.


Vêm as tuas palavras.


Uma e outra e outra e outra e outra.


Nunca têm fim, 


E assim esta dor não passa.

Os sons que saem da tua boca são pontas de punhal que
me trespassam a alma.


Há muito que me tiraram as certezas.

Há muito que me esmagaram as entranhas e mataram o
pouco de mim que ainda restava.


Já não as ouço. Já não te imploro com o olhar carente.


A minha ternura é o teu silêncio.


O meu espaço é a tua ausência.


É tão difícil amar-te assim!


Mas o facto, é que ainda te amo.

O meu espírito dilacerado já não coleciona as tuas
sílabas imundas.


Já não sou. Já não caminho, flutuo.


Sou sombra, sou fumo.


Já não há nada para destruir.


Mas também, já não há nada para viver.

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