ARTE DE ENGOLIR PESSOAS por Lúcia Tomás

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Sou apurada para uma segunda fase. Apresento-me de novo. Ao entrar, sinto-me aturdida pela dança de gravatas periclitante à minha volta. Sinto-me desnorteada pela orgia de números e siglas que ficam encalhados na minha cabeça na tentativa de dar um sentido a toda aquela realidade abstrata. Mais uma vez, tudo me soa a rima, aliteração, assonância, onomatopeia, anáfora, pleonasmo, hipérbole, se não mesmo, uma antítese perfeita. Acontece tudo em simultâneo, não há linha condutora, não há perguntas, há uma informação escassa sobre a minha função que já nada tem que ver com a que me foi transmitida no dia anterior. Uma gravata vermelha fala-me. Apresenta-me um contrato. É pegar ou largar. Eu pego para largar o desemprego. Fico, assim, agarrada a um mal que não é melhor.

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