ARTE DE ENGOLIR PESSOAS por Lúcia Tomás

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Ao vigésimo primeiro dia o cliente manda-me embora a meio do dia. Tudo não passou de um erro, diz-me. Atravesso a cidade com o coração nas mãos. Bato à porta do meu empregador. A dança de gravatas e o uso excessivo de recursos expressivos são substituídos por uma objetividade inaudita. O homem que me olha diretamente nos olhos está a coagir-me. Ordena-me que eu me despeça por vontade própria. Exige-me uma carta de despedimento escrita pelo meu próprio punho, e quando recuso, ameaça-me (e eu que não queria acreditar quando os meus ouvidos treinados pela poesia me devolveram logo no início do jogo a antítese.) As ameaças vêm em crescendo. Oiço “justa causa”. Dá-me uma oportunidade, manda-me para casa pensar e voltar no dia seguinte com a carta de despedimento.

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