ARTE DE ENGOLIR PESSOAS por Lúcia Tomás

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Passaram três semanas. Nada mudou. Ninguém me esclarece. Os mais atentos dão pela minha presença. Sorriem-me esporadicamente. Perguntam-me quem sou. Perguntam-me o que faço. Devolvo-lhes o meu sorriso tímido entre palavras parcas. Estou envergonhada. Não sei o que dizer. Não posso colocar em risco o meu empregador. Podia ter passado estas três semanas fechada na casa de banho a chorar, mas, por pudor, não o fiz. Durante vinte e um dias estive sentada à espera de uma resposta, a da justificação da minha presença ali.

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