Quando estar grávida não é incrível

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Chama-se Jéssica mas podia chamar-se Rita. Ou Paula ou Cristina. Isabel ou Fátima. Chama-se Jéssica e é um acaso. Os milhares de seguidores só a tornam mais visível e alvo de escrutínio. A Jéssica foi mãe. E não teve pudor em dizer que estar grávida não é uma coisa incrível para todas as mulheres. E não é. E muitas calam essa pouca alegria das pernas inchadas, do umbigo dilatado, dos enjoos matinais, das mudanças de humor, da roupa que aperta e do peso constante na bexiga. Porque é uma dádiva e um via dolorosa para se chegar ao que de melhor a vida pode dar. Mas a vida é dolorosa. E mandar calar um percurso que nem todas as mulheres apreciam, e estão no seu direito, é aniquilar a liberdade individual da real proprietária do seu corpo e a mais genuína detentora da consciência própria. Sem pejos, assumamos: estar grávida não é a melhor coisa do mundo. E uma mãe feliz é uma mãe que não teme o olhar de repreensão ou a crítica pública quando diz “não estou a gostar de estar grávida”. Uma mãe feliz é aquela que assume que a gravidez nem sempre traz tranquilidade e que tratar a ansiedade conexa é sinal de maturidade e sanidade suficientes para pedir ajuda.

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