A Catarina é gorda

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A Catarina é gorda, é
modelo e não tem vergonha de quem é.

Só isso já basta para
irritar muita gente. 

Como se atreve a sair
da caverna e mostrar o corpo com orgulho? Como se atreve a ter amor próprio?
Como se atreve a ser gorda e feliz?

A Catarina também
mostrou as mamas na capa de uma revista.

O horror! A gorda que
mostra o corpo e as mamas sem vergonha! A mulher que levanta assim o véu, sem
pudor nenhum. Se fosse magra já era mau, assim ainda é pior!

A polícia do Facebook
entrou ao serviço e o nojo dos comentários do costume começou. A horda de gente
que se esquece que a Catarina é uma pessoa deu azo à diarreia verbal, ao ódio,
à violência. 


Eles não sabem. 

Não sabem que a Catarina
demorou muito a chegar a este lugar feliz. Fez dietas intermináveis, ouviu
muitas vezes que “era pena ser gordinha, porque até tem uma cara
bonita”, sofreu em silêncio, sorriu sem vontade. A Catarina escondeu,
apertou, odiou o seu corpo vezes demais.

Mas a Catarina
trabalhou. Trabalhou muito em si, na sua forma de ver o mundo e a ela própria.
A Catarina aprendeu a amar-se e a ignorar o resto. Contra tudo e todos, a
Catarina aprendeu a ser feliz, e luta por isso todos os dias. 

A Catarina é gorda, é
mulher, é linda e não pede desculpa por existir.


A Catarina é livre.

E vale a pena celebrar
isso.

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