8 DE MARÇO: DIA EM QUE AS FLORES DEVEM ABRIR ESPAÇO PARA A CONSCIENTIZAÇÃO

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Dia Internacional da Mulher é dia de lembrar das lutas que atravessam o cotidiano feminino:
– Lutamos para sobreviver. As taxas de feminicídio mundiais apontam que corremos risco de vida apenas por sermos quem somos.
– Lutamos contra o racismo patriarcal que silencia, isola e mata mulheres negras e indígenas.
– Lutamos contra a violência sobre corpos de mulheres lésbicas, muitas delas vítimas de estupros corretivos, deslegitimadas em sua sexualidade. Afinal, assim o são “porque não foram bem comidas por um homem”.
– Lutamos para que mulheres trans e travestis possam, simplesmente, existir. Aquelas a quem o direito à vida, mundialmente, é negado da maneira mais assassina.
– Lutamos para aceitarmos nossos corpos. A indústria da beleza está entre os cinco segmentos que mais geram lucro no mundo. Mulheres são responsáveis por 80% do consumo de produtos e serviços desta indústria. Consumo ensejado por uma tática bastante eficiente: a desqualificação da nossa aparência. O tempo todo ouvimos que nossos corpos não estão na medida, que nossos pelos precisam ser removidos, os fios brancos escondidos, as rugas disfarçadas. Como seria promover a aceitação e admiração pelo corpo feminino em escala mundial? Quanto se deixaria de lucrar produzindo uma nova narrativa, a de que nada há de errado com nossas formas?
– Lutamos por igualdade salarial. Com muita frequência, temos a mesma ou maior qualificação profissional de homens que ocupam cargo semelhante ao nosso, mas remunerações inferiores comparadas às deles.
– Lutamos para não sermos chamadas de loucas e difíceis, quando apenas demonstramos uma opinião com confiança. Um homem seguro é visto como… Um homem seguro. E admirado por isto. Uma mulher segura, muitas vezes, é tida como esnobe e alguém a quem “falta um pau, uma pila, para acalmar os ânimos”.
– Lutamos para que, ao exercemos nossa liberdade sexual, não sejamos achincalhadas de vagabunda. Homens exercendo livremente o seu desejo estão apenas agindo “conforme sua legítima vontade”, além de valorizados pela quantidade de “conquistas” efetuadas.
– Lutamos para não sermos interrompidas em conversas de bar, no meio de entrevistas e em palestras. Já existem, inclusive, aplicativos para aferir quantas vezes somos cortadas por homens em situações de (tentativa de) diálogo. Ao lado das flores, que se repense o Maninterrupting e nos seja dado o direito à argumentação sem interrupção.
– Lutamos para que o Estado não decida regular os nossos corpos, ao lançar mão do argumento “pró-vida”, e causar a morte de tantas companheiras.
– Lutamos para que o simples ato de amamentar em público não criminalize nossos corpos, enquanto seios nus femininos na publicidade, nos estádios, palcos e ecrãs/telas são celebrados e legitimados.
– Lutamos para que, um dia, nosso tempo possa ser usado, integralmente, para escrevermos sobre nossas pesquisas, nosso trabalho, nossas ideias, ao invés de nos mobilizarmos, em escala global, para ensinar a basilar, trivial e banal lição de que não é não.

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