8 DE MARÇO. DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES por Sara Falcão Casaca

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Na vida privada, as mulheres continuam a assegurar as tarefas domésticas e relativas ao cuidar, sacrificando tempo de lazer e de repouso. Para muitas, tragicamente, a intimidade está longe de ser o reduto dos afetos, do amor, da segurança e do bem-estar. Os dados oficiais confirmam que a larga maioria das vítimas de violência doméstica é do sexo feminino (85%) (DGAI). De acordo com o Relatório do Observatório de Mulheres Assassinadas, da UMAR, entre Janeiro e Novembro de 2014, foram assassinadas quatro mulheres (em média) por mês, na sua maioria pelos atuais ou ex-companheiros/namorados. Também sabemos que a população mais jovem reproduz nas suas relações a violência verbal, psicológica, física e sexual, mantendo-se a marca da violência de género. Os conteúdos e as imagens dos meios de comunicação e da publicidade contribuem para a assimilação acrítica destes fenómenos, ora retratando as mulheres como objetos de desejo ora como bens de consumo. As conceções estereotipadas são sistematicamente veiculadas por estes canais de larga difusão, reproduzindo manifestações de violência (incluindo a simbólica), assim como a assimetria das relações de poder, a subalternidade das mulheres perante figuras masculinas (à luz da norma ideal de masculinidade hegemónica), representações e práticas sexualmente discriminatórias e atentatórias da dignidade da sua condição humana.

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