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Em Setúbal, um homem teve uma ideia. Juntar outros homens e pensar sobre o que é isto de ser homem nos dias que correm. A reflexão e a ação desenvolvida pelas mulheres ao longo de décadas, sustentada numa profunda desigualdade de tratamento e de direitos, permite agora que os homens iniciem esse percurso de reflexão. Durante um ano e meio pensámos muito sobre este tema e como poderíamos transmitir uma mensagem de luta pela liberdade individual, desconstrução de preconceitos e pela igualdade de direitos e oportunidades entre mulheres e homens. O resultado está à vista por toda a cidade de Setúbal, nas cinco imagens que formam a campanha "Sou homem para isso!".

O feminismo é urgente também para os homens, se se propuser a libertar os rapazes destes conceitos obsoletos de masculinidade. A taxa de suicídio entre os homens está a aumentar em todo o mundo e sabe-se que é porque não aguentamos mais, por exemplo, que não nos seja permitido expressar emoções, demonstrar fragilidade...

A frase de Raquel Varela é extremamente misógina e concretiza-se numa perigosa defesa do sexo masculino que foi escalonando desde o início do debate. Apesar de tudo, não foi censurada pela opinião pública: Defender o lado masculino terá os seus benefícios, pois não há advogado melhor que o oprimido quando aceita o lado do opressor. Ademais, é preciso sedimentar que assédio é um crime.

com os feminismos os homens ganham liberdade para fugir das amarras dos estereótipos de género e das suas expetativas rígidas. E se para muitos esta pode ser uma justificação abstrata, a verdade é que sem esta liberdade não haveria permissão para os homens e rapazes fugirem ao modelo masculino que associa a violência à sua educação. E convenhamos: o modelo tradicional não está a funcionar para os rapazes e homens: a masculinidade hegemónica é uma prisão que limita o desenvolvimento saudável das nossas crianças e que fomenta as desigualdades e violência de género

Com a faculdade, apareceram as amigas para a vida toda como outros amigos para a vida toda, e com isto sempre o estigma parvo de que, para te dares com tantos homens, só podes ser leviana; que não, que não existe amizade em estado líquido entre homens e mulheres, não existe nada sem toques nem beijos na boca, mesmo que, de facto, tenha sido apenas uma ida ao cinema, um copo à noite, uma conversa sobre gajos que tivemos com um amigo para tentarmos compreender melhor o que nos calhou na rifa. Eu acredito profundamente que homens e mulheres podem ter relações de amizade que não envolvam mamas e sexo mas que transbordem admiração, cumplicidade e ternura.

As vítimas da mentira são a criança que foi violada pelo familiar e não sabe como explicar o que aconteceu, o deficiente que não consegue descrever a situação, o doente mental em quem ninguém acredita, a mulher que “é fresca”, o homem que “é machão”. As piores vítimas são aquelas que sofreram, sofrem e sofrerão abusos e que, depois de ganhar coragem para denunciar os actos criminosos dos abusadores, ainda têm que se defender, que provar que estão a dizer a verdade e narrar acontecimentos traumáticos de forma coerente e sem contradições. Quem mente silencia a voz das verdadeiras vítimas e esse é um crime quase tão hediondo como o assédio sexual em si.

A mãe e o pai foram educados assim: as mulheres, além de trabalharem, também têm de garantir, sem falhas, a educação dos filhos e ao mesmo tempo manter a casa perfeitamente imaculada — e acabam por transmitir estes papéis à filha e ao filho. Assim, o rapaz cresce a acreditar que não tem de fazer nada, pois a comida aparece na mesa, os pratos levantam-se sozinhos, lavam-se magicamente, arrumam-se por eles próprios no lugar, tudo enquanto ele desfruta do seu tempo livremente, brinca no tablet, joga com os amigos, etc. E cresce com a ideia de que não tem de fazer coisas básicas como tratar da sua própria alimentação.

Da questão do piropo, ao aborto, passando por temas como a desigualdade salarial, a educação dos mais novos, sem esquecer assuntos como o sexo, os machistas e as feminazis, Patrícia Motta Veiga explica-nos o que é ser feminista nos dias de hoje.

Os homens, na sua qualidade de cônjuges, namorados, companheiros, pais, irmãos e amigos, devem defender essa igualdade, ao nosso lado, par a par. Como dizia a nossa querida Marielle Franco, que estará sempre connosco neste momento de luto(a), o lugar da mulher é onde ela quiser. E o dos homens pode e deve ser ao nosso lado, a lutar.

A violência contra a mulher é transversal. Omnipresente. Normalizada. Até vende. Está nos estereótipos que vamos reproduzindo. Está nos dizeres comuns, na linguagem, nas histórias, nas narrativas, na publicidade. Está nas nossas cabeças e, fatalmente, nos nossos comportamentos. Está no assédio sexual, na violência doméstica, nos crimes sexuais, no femicídio. Está na desigualdade salarial, na desigualdade na participação política. Está na forma como as mulheres são insultadas no espaço público, e está na forma como são “ordinariamente” comentadas quando andam na rua. Está em todo o lado, porque a normalizamos e vamos desculpando como “brincadeira” ou assunto menor. Só que não é um assunto menor.
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