Síria - resultado da pesquisa

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Sonja Hamad, natural da Síria, é a grande vencedora do Prémio Internacional de Fotografia Emergentes dst 2016, distinguida pelo trabalho “Jin - Jiyan - Azadi | Women, Life, Freedom - The Kurdish Freedom Fighters” sobre mulheres combatentes em Rojava, no Curdistão ocidental, que, sem medo da morte e com paixão pela sua pátria e ainda com o amor pelas suas famílias, lutam corajosamente contra o grupo fortemente armado da Síria, o IS.

Não posso esconder que me senti fortemente incomodada ao ver uma mulher, num espaço de exposição mediática como é o jornal da SIC, diminuir desta forma a luta de outras mulheres que vivem num país onde ser mulher e/ou membro da comunidade LGBTI é extremamente perigoso. A isto chama-se, no mínimo, falta de empatia. Dizer com ar de gozo que é estranho que deputadas portuguesas se solidarizarem com um movimento cívico, apartidário de mulheres (e não só), porque não vivem no Brasil, porque não têm a ver com a situação, revela que Manuela Moura Guedes apoia aquela ideia horrenda e desumana de que “se não é aqui, se não está à frente dos nossos olhos, não importa!”.

Nas ruas, vimos milhares e milhares de mulheres que depositaram esperança e confiança no teu trabalho e que acreditam na criação de um mundo mais justo e igualitário. Fizeste-nos acreditar, através das tuas ações, que esse mundo não é uma utopia: que ao marcharmos em manifestações nos nossos países, marchamos coletivamente por uma igualdade possível e universal.

Enquanto existir a persistente ideia de que a mulher é o centro do pecado e a culpada pelo facto de os homens não conseguirem reprimir os seus impulsos, não vamos conseguir obter mudanças na sociedade. A violência contra as mulheres e o desrespeito pelos seus direitos continuará a ser bandeira até se alcançar um novo paradigma.

A violência contra a mulher é transversal. Omnipresente. Normalizada. Até vende. Está nos estereótipos que vamos reproduzindo. Está nos dizeres comuns, na linguagem, nas histórias, nas narrativas, na publicidade. Está nas nossas cabeças e, fatalmente, nos nossos comportamentos. Está no assédio sexual, na violência doméstica, nos crimes sexuais, no femicídio. Está na desigualdade salarial, na desigualdade na participação política. Está na forma como as mulheres são insultadas no espaço público, e está na forma como são “ordinariamente” comentadas quando andam na rua. Está em todo o lado, porque a normalizamos e vamos desculpando como “brincadeira” ou assunto menor. Só que não é um assunto menor.

A vida não passa de um direito. Não é um dever. Não é, não deve ser, uma obrigação. É o direito mais bonito que temos, mas é isso, um direito. Quando viver já não é suportável, quando a dor já não compensa por tudo o resto, todos nós deveríamos ter o direito de escolher NÃO viver.

É fácil amar quem ouve a mesma canção, fala a mesma língua e concorda com tudo o que dizemos. Difícil é amar o que nos parece racista, machista, quem discorda, quem nos afronta e confronta, obrigando-nos – por entre areias movediças – a ir além dos limites seguros da nossa razão para repensar argumentos de modo a explicar e acalmar. Difícil é combater o medo e a ignorância com amor e compreensão. É aqui que reside o radicalismo do amor.

Celebra-se o Natal no resto do mundo, por aqui seria quase época de celebrar o Hanukkah, mas como podemos nós celebrar seja o que for se mal sabemos se daqui a um segundo estaremos vivos? O mundo está ocupado, é Natal, e ainda por cima está mau tempo. As pessoas querem estar recolhidas em casa à lareira com quem amam, a abrir presentes. Aqui também está frio, o frio só passa quando uma bomba explode e nos queima.

Num mundo globalizado como o nosso, não há problemas americanos. Há problemas. Não há conflitos locais. Há conflitos. Todos geram alguma forma de ameaça global e todos têm consequências potencialmente globais. Todos nos devem gerar alguma atenção e preocupação.

Se escolhermos o caminho do medo, da segregação, do fechar de fronteiras, de desigualdade, de desrespeito, escolhemos o caos. No dia em que escolhemos o caos, escolhemos a nossa morte, escolhemos a vitória do mal que para bem de todos perdeu em 1945. Nesse dia seremos alguém em fuga. Um refugiado ou uma refugiada.
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