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Muitos homens foram educados para não aceitar um “não” de uma mulher, e muitas delas foram educadas para aguentar, ou desvalorizar os sinais iniciais de uma relação abusiva. Quando o nível de violência toma proporções já muito elevadas, elas não conseguem terminar a relação, por medo, por estarem em risco, ou, por que, caso tentem são perseguidas.
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Sabe o que é que faz bem? Um banhinho quente.” Ela já não lhe responde. Nunca o olha. Responde mecanicamente com a rapidez com que passa o pão e o iogurte. Ignora o quão próximo ficou aquele homem, idade para ser seu pai, colado à lateral da caixa, olhos fixados nela a sugerir-lhe um banhinho quente.
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Diogo Faro, humorista, vlogger, e autor da página do Facebook “Sensivelmente Idiota”, fez um apelo no Instagram pedindo que quem tivesse sofrido assédio sexual lhe enviasse mensagens. Em resposta, recebeu mais de 2000 mil relatos de experiências pessoais. Grande parte destas experiências – algumas foram já divulgadas – ocorreu nas famílias. Há dois traços comuns nestas histórias, que são característicos dos abusos sexuais e da violência ocorre na família: a descredibilização da vítima (tantas vezes criança) e o silenciamento.
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Não aceito nem entendo que se olhe uma mulher como estando sempre disponível apenas porque não é casada. Uma mulher não é de todos por estar solteira. Uma mulher não é de todos só porque usa uma minissaia. Não está a fazer nenhum convite quando usa um decote, não está a fazer nenhum convite quando sorri. Ela está simplesmente a ser livre e merece respeito!
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Não soube, durante muitos anos, que um homem bater numa mulher era violência. Pensava até que todas as famílias eram e viviam assim. Acreditei nisto até ter entrado na escola e ter uma grande amiga chamada que me convidava muitas vezes para ir brincar na casa dela. Na casa dela percebi que nem todas as famílias viviam assim. Ficava triste, chorava, escrevia cartas, dobrava-as muito bem, e deixava-as na mala que ele levava para o trabalho, junto à marmita do almoço. Acho que foi por ele que aprendi a escrever antes de ter ido para a escola. Por necessidade. Porque precisava de lhe escrever cartas a pedir para ter calma, para pedir desculpas à mãe, para não beber mais.
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Numa casa onde existe violência doméstica, não existe um agressor e uma vítima. Existe um casal, uma família, que vive num pingue-pongue constante entre o estar tudo bem e o apocalipse. É um estado de confusão profunda e asfixiante, enquanto se deseja que um dia o tormento acabe.
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A floresta é minha mãe Não me curvo perante ninguém Um homem não me subjuga Uma corrente não me amarra Olhos no céu Por fora do véu Não tenho medo de nada Sou árvore, sou flor Sou rio, sou dor Não tenho medo de nada
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A maioria das vítimas de agressões sexuais segue com a sua vida. Umas conseguem uma recuperação mais completa e outras têm mais dificuldade em fazê-lo, mas todas merecem respeito, independentemente dos resultados. O trauma não se supera com força de vontade. Ninguém que esteja deprimido ou que viva num permanente estado de ansiedade pós-traumática está nessa situação por opção.
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Muitos homens foram educados para não aceitar um “não” de uma mulher, e muitas delas foram educadas para aguentar, ou desvalorizar os sinais iniciais de uma relação abusiva. Quando o nível de violência toma proporções já muito elevadas, elas não conseguem terminar a relação, por medo, por estarem em risco, ou, por que, caso tentem são perseguidas.
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Sabe o que é que faz bem? Um banhinho quente.” Ela já não lhe responde. Nunca o olha. Responde mecanicamente com a rapidez com que passa o pão e o iogurte. Ignora o quão próximo ficou aquele homem, idade para ser seu pai, colado à lateral da caixa, olhos fixados nela a sugerir-lhe um banhinho quente.
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Diogo Faro, humorista, vlogger, e autor da página do Facebook “Sensivelmente Idiota”, fez um apelo no Instagram pedindo que quem tivesse sofrido assédio sexual lhe enviasse mensagens. Em resposta, recebeu mais de 2000 mil relatos de experiências pessoais. Grande parte destas experiências – algumas foram já divulgadas – ocorreu nas famílias. Há dois traços comuns nestas histórias, que são característicos dos abusos sexuais e da violência ocorre na família: a descredibilização da vítima (tantas vezes criança) e o silenciamento.
607

Não aceito nem entendo que se olhe uma mulher como estando sempre disponível apenas porque não é casada. Uma mulher não é de todos por estar solteira. Uma mulher não é de todos só porque usa uma minissaia. Não está a fazer nenhum convite quando usa um decote, não está a fazer nenhum convite quando sorri. Ela está simplesmente a ser livre e merece respeito!
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Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Guarda partilhada e residência alternada: 32 perguntas e respostas fundamentais. O que é que a lei diz sobre a “guarda partilhada”? O que é que a lei diz sobre a residência alternada? Todos os pais têm de ir a tribunal para regular as responsabilidades parentais? É habitual os pais desejarem, havendo acordo, um regime de residência alternada e verem-no negado na Conservatória ou pelo tribunal? A Capazes defende que se parta do princípio de que a guarda partilhada é o melhor para a criança, e que seja esta a regra geral?
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Cada palavra a mais é recompensada com um choque elétrico, que aumenta de intensidade e proporção ao número de infrações. Cortesia de uma pulseira obrigatória também usada por crianças e adolescentes do sexo feminino. Canetas e papéis são proibidos; livros fechados a sete chaves; a utilização de linguagem gestual é punida. Esta é uma história que permite abordar, em entrevista, temas como o feminismo, o conservadorismo popular crescente em alguns países, o pensar a “palavra” como um direito garantido, o perigo da barreira ao pensamento crítico, entre outros.

A Quebrar o Silêncio apresenta a 2º edição do encontro “O homem promotor da igualdade — homens e mulheres lado a lado pela igualdade de género”, que irá realizar-se a 15, 16 e 17 de novembro no ISCTE-IUL, em Lisboa. Para 2018, o evento terá como eixos centrais a interseccionalidade e os direitos das pessoas LGBTI, além do tema central que é a promoção de novas masculinidades e a promoção do papel do homem na igualdade de género.

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Esta história é real, faz doer o coração, faz-nos sentir vergonha alheia, vergonha de nós próprios e do mundo. Esta é uma história sem um final feliz. A personagem principal é Amanda Rodrigues, de 19 anos, que nunca chegará a festejar os 20 porque morreu no passado dia 17 de janeiro. Perdeu a vida porque queria que as pessoas gostassem dela.

Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

do Autor/a da Criada Malcriada
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