Actualidade Artigos

Pedi-lhe que se retirasse, caso contrário chamaria a polícia, foi nesse momento que o mais insólito sucedeu: o rapaz cuspiu-me na cara. Afastei-me, limpei a cara e o “maricas de merda”, “vocês deviam morrer todos” ou até “eu e o meu pai vamos apanhar-te e dar-te uma sova”, continuavam. Comecei a afastar-me com medo do que pudesse vir de seguida e ele, aparentemente feliz pelo meu medo, também se foi embora.
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Dir-lhes-á a sua sensibilidade e o seu bom senso que o tema não era os calendários Pirelli nem Emanuel mas uma candidata que, naturalmente eleita, não representará só mamas e rabos que os cavalheiros que subscrevem a reportagem julgam representar no seu todo uma mulher?
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Quando ele entrou, já sabia que ia ter problemas. O fatinho de treino e a garrafa de litro de Coca Cola meio vazia convidam imenso ao estereótipo mas raramente indicam o que quer que seja. Entrou a falar alto, sozinho, como que a reclamar para o ar e com aquela efusividade que põe instintivamente  de  pé atrás  quem está habituado a lidar com este tipo de coisa. Qualquer ser humano que seja mulher, portanto. Até podia não me ter calhado a mim, se o comboio estivesse mais cheio mas, àquela hora,  e com apenas mais duas pessoas por perto, um senhor e uma senhora ambos mais velhos do que eu, dei por mim a baixar a cabeça e a apertar com mais força o telemóvel contra a mão.
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Se há seis anos me perguntassem quais seriam as minhas intenções enquanto mãe, provavelmente falaria na educação para a liberdade, porque afinal sempre foi esta a minha bandeira de vida, na relação comigo mesma, nos amores, nos amigos… E ainda assim, foste tu que vieste ensinar-me de que substância se faz um amor livre. Como o que te tenho e, mais ainda, como o que te devo.
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Um dos problemas da violência doméstica prende-se com a invisibilidade com que se instala na vida das vítimas. Assim, a primeira armadilha é acharmos que nunca aconteceria connosco. Muitas das vítimas não partem após a primeira estalada ou após a primeira humilhação, pois já estão envolvidas numa teia tão bem tecida que chegam a sentir-se, apenas, como parte do problema.
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A Ruth Bader Ginsburg. A Emmeline Pankhurst. A Simone de Beauvoir. A Katherine Johnson. A Snu Abecassis. A Natália Correia. Às Três Marias. A Maya Angelou. A Benazir Bhutto. A Marielle Franco. A Chimamanda Ngozi Adichie. A Malala Yousafzai. E a tantas outras. Obrigada a todas as mulheres que foram sementes deste caminho tão duro – e tão (demasiado) longo.
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Queria contar-vos a história da morte da Catarina (nome inventado). A história da vida Catarina não conheço. Há-de ter começado quando nasceu. Não sei se foi amada pelos pais ou querida pelos amigos. Sei que terminou cedo. Por desamor. Tinha 35 anos quando foi morta pelo companheiro (com quem tinha vivido, com algumas interrupções, mais de 4 anos). Da história da vida da Catarina pouco sei, pouco podemos saber. E, desde o dia 10 de maio de 2012, nada mais há a saber.
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Disse-me, finalmente, depois de um silêncio ensurdecedor: “Eu não posso ir à escola porque não posso ir à casa de banho.” Tentei disfarçar o...
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Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Pedi-lhe que se retirasse, caso contrário chamaria a polícia, foi nesse momento que o mais insólito sucedeu: o rapaz cuspiu-me na cara. Afastei-me, limpei a cara e o “maricas de merda”, “vocês deviam morrer todos” ou até “eu e o meu pai vamos apanhar-te e dar-te uma sova”, continuavam. Comecei a afastar-me com medo do que pudesse vir de seguida e ele, aparentemente feliz pelo meu medo, também se foi embora.
403

Dir-lhes-á a sua sensibilidade e o seu bom senso que o tema não era os calendários Pirelli nem Emanuel mas uma candidata que, naturalmente eleita, não representará só mamas e rabos que os cavalheiros que subscrevem a reportagem julgam representar no seu todo uma mulher?
357

Quando ele entrou, já sabia que ia ter problemas. O fatinho de treino e a garrafa de litro de Coca Cola meio vazia convidam imenso ao estereótipo mas raramente indicam o que quer que seja. Entrou a falar alto, sozinho, como que a reclamar para o ar e com aquela efusividade que põe instintivamente  de  pé atrás  quem está habituado a lidar com este tipo de coisa. Qualquer ser humano que seja mulher, portanto. Até podia não me ter calhado a mim, se o comboio estivesse mais cheio mas, àquela hora,  e com apenas mais duas pessoas por perto, um senhor e uma senhora ambos mais velhos do que eu, dei por mim a baixar a cabeça e a apertar com mais força o telemóvel contra a mão.
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Se há seis anos me perguntassem quais seriam as minhas intenções enquanto mãe, provavelmente falaria na educação para a liberdade, porque afinal sempre foi esta a minha bandeira de vida, na relação comigo mesma, nos amores, nos amigos… E ainda assim, foste tu que vieste ensinar-me de que substância se faz um amor livre. Como o que te tenho e, mais ainda, como o que te devo.
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Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

É assim tão estranho que haja homens, e suas mães, que queiram, para si (e para os seus filhos) uma mulher submissa, boa dona de casa? As mães daqueles rapazes cresceram (algumas) a ler estas revistas. Foram assim educadas pelos seus pais. Educaram assim os seus filhos. É um círculo vicioso, educacional, cultural, que vai mantendo instâncias e tradições machistas de profunda injustiça e desigualdade. Que trazem grande sofrimento, para mulheres e homens. Que geram muita violência. Que estão na base, também, da violência doméstica (e suas vítimas fatais).
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Guarda partilhada e residência alternada: 32 perguntas e respostas fundamentais. O que é que a lei diz sobre a “guarda partilhada”? O que é que a lei diz sobre a residência alternada? Todos os pais têm de ir a tribunal para regular as responsabilidades parentais? É habitual os pais desejarem, havendo acordo, um regime de residência alternada e verem-no negado na Conservatória ou pelo tribunal? A Capazes defende que se parta do princípio de que a guarda partilhada é o melhor para a criança, e que seja esta a regra geral?
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Cada palavra a mais é recompensada com um choque elétrico, que aumenta de intensidade e proporção ao número de infrações. Cortesia de uma pulseira obrigatória também usada por crianças e adolescentes do sexo feminino. Canetas e papéis são proibidos; livros fechados a sete chaves; a utilização de linguagem gestual é punida. Esta é uma história que permite abordar, em entrevista, temas como o feminismo, o conservadorismo popular crescente em alguns países, o pensar a “palavra” como um direito garantido, o perigo da barreira ao pensamento crítico, entre outros.

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Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

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