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Se os nossos filhos crescerem a ouvir e a cantar sobre um papá que chega e uma mamã que limpa, isso vai ficar gravado na sua memória e tornar-se-á mais aceitável na vida adulta. Nada é definitivo, claro, e uma canção estúpida não é o fim do mundo. Mas a luta pela igualdade de género começa na infância, pois é aí que começa a formação dos valores e da personalidade de cada um.

Em duas  ocasiões diferentes, tive que me dirigir ao meu bispo, o líder máximo da cidade em que vivia e confessar-lhe o que havia feito. Sentei-me num gabinete, à frente de um grupo de homens sem qualquer tipo de formação para gerir as informações que lhes transmitiria e contei-lhes as minhas duas histórias, sendo-me pedido que descrevesse os níveis de intimidade, os contornos da relação e até as posições sexuais que tinhamos experimentado. Foi-me aplicado uma espécie de castigo, o chamado “período probatório”, em que eu poderia frequentar as reuniões da igreja, não podendo participar ativamente nas atividades em que estava habitualmente envolvida.
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Primeiro passo dado no corredor, primeiro pontapé que recebi. E foi assim até chegar à porta da casa de banho. Pontapés, rasteiras e muitos nomes feios - creio que alguns deles os aprendi nesse mesmo dia. Havia sido organizado um “corredor da morte” porque eu levara para a escola umas calças verde-alface. Eu levei pontapés porque tinha umas calças verde-alface. Eu fui “paneleiro” porque tinha umas calças verde-alface. Eu devia ter vergonha de sair à rua porque tinha umas calças verde-alface. A minha família devia matar-se porque eu tinha umas calças verde-alface.
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Louvemos os cinco milhões de indianas (metade da população portuguesa) que invadiram as ruas, as estradas e as autoestradas do Estado de Kerala, na Índia, e fizeram um cordão humano – um muro, um festivo muro de saris – com 620 quilómetros. Foram apenas 15 minutos... ou foram os mais coloridos e brilhantes 15 minutos da história das mulheres no Estado de Kerala, na Índia, onde, até agora, acatavam a proibição de rezar em Sabarimala sem reclamar.
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aprendi que o “ser interessante” da mulher é ser bonita e transpirar mistério de boca calada. Bonito não é gritar e chorar por temas do nosso interesse, bonito não é berrar a falar de ética ou política, isso é ser chata. Bonito é ser singela. Mas ao crescer, cresceu comigo uma definição paralela de mulher, aquela que eu inventei para mim. A da mulher bonita, porque vive de olhos atentos ao mundo que a rodeia. A da mulher bonita porque cria uma história nova nos versos das páginas da história que escreveram para ela. Inventei para mim que ser mulher é ser o que eu quiser.
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Batia porque o clube dele tinha perdido. Batia porque o dia não lhe tinha corrido bem. Batia porque a vizinha tinha dito bom dia. Batia porque sim. Batia porque não. Hoje é diferente de quê? Veja as notícias e diga-me onde está a diferença. A diferença está no estatuto social. Nos estudos. Os agressores são sempre vítimas, já viu? Se eu o tivesse deixado, para onde ia com os meus filhos? E agora, para onde vão elas? Eles são sempre vítimas, elas é que têm de fugir. Fortaleça a alma a uma mulher e ela comandará uma nação, sem dinheiro ela fará o pão.

O tumor numa mama não tem legenda, nem um sinal na testa, nem acende flashes no escuro. Está lá, entre o que é nosso, na nossa pele, no nosso sangue, no nosso corpo, escondido. O alívio do "está tudo bem, não tem com que se preocupar". E a angústia deixo-a ali deitada na marquesa enquanto me visto. Os exames mamários, quer a ecografia, quer a mamografia, devem ser feitos de ano e meio em ano e meio a partir dos 35 anos. De ano em ano, em alguns casos. Não há que facilitar.

Eu sei que os filhos crescem, eu sei. E que de um Natal ao outro vai um pulo tão curto que mal se dá por ele mas, no entretanto, tanta coisa vos acontece e como mudam. A vida está a passar tão rápido, que a única coisa que me devolveria esse brilho que hoje é vosso mas que eu também já tive, era ter-vos assim, sempre pequeninos e só meus, num Natal eterno, com verdadeiros meninos Jesus, que eu adorasse para sempre, em casa. Nesta casa onde se faz por vós e para vós, Natal todos os anos.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Se os nossos filhos crescerem a ouvir e a cantar sobre um papá que chega e uma mamã que limpa, isso vai ficar gravado na sua memória e tornar-se-á mais aceitável na vida adulta. Nada é definitivo, claro, e uma canção estúpida não é o fim do mundo. Mas a luta pela igualdade de género começa na infância, pois é aí que começa a formação dos valores e da personalidade de cada um.

Em duas  ocasiões diferentes, tive que me dirigir ao meu bispo, o líder máximo da cidade em que vivia e confessar-lhe o que havia feito. Sentei-me num gabinete, à frente de um grupo de homens sem qualquer tipo de formação para gerir as informações que lhes transmitiria e contei-lhes as minhas duas histórias, sendo-me pedido que descrevesse os níveis de intimidade, os contornos da relação e até as posições sexuais que tinhamos experimentado. Foi-me aplicado uma espécie de castigo, o chamado “período probatório”, em que eu poderia frequentar as reuniões da igreja, não podendo participar ativamente nas atividades em que estava habitualmente envolvida.
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Primeiro passo dado no corredor, primeiro pontapé que recebi. E foi assim até chegar à porta da casa de banho. Pontapés, rasteiras e muitos nomes feios - creio que alguns deles os aprendi nesse mesmo dia. Havia sido organizado um “corredor da morte” porque eu levara para a escola umas calças verde-alface. Eu levei pontapés porque tinha umas calças verde-alface. Eu fui “paneleiro” porque tinha umas calças verde-alface. Eu devia ter vergonha de sair à rua porque tinha umas calças verde-alface. A minha família devia matar-se porque eu tinha umas calças verde-alface.
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Louvemos os cinco milhões de indianas (metade da população portuguesa) que invadiram as ruas, as estradas e as autoestradas do Estado de Kerala, na Índia, e fizeram um cordão humano – um muro, um festivo muro de saris – com 620 quilómetros. Foram apenas 15 minutos... ou foram os mais coloridos e brilhantes 15 minutos da história das mulheres no Estado de Kerala, na Índia, onde, até agora, acatavam a proibição de rezar em Sabarimala sem reclamar.
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Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

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A Quebrar o Silêncio apresenta a 2º edição do encontro “O homem promotor da igualdade — homens e mulheres lado a lado pela igualdade de género”, que irá realizar-se a 15, 16 e 17 de novembro no ISCTE-IUL, em Lisboa. Para 2018, o evento terá como eixos centrais a interseccionalidade e os direitos das pessoas LGBTI, além do tema central que é a promoção de novas masculinidades e a promoção do papel do homem na igualdade de género.

O que têm em comum a padeira Brites de Almeida, a sufragista Beatriz Ângelo, a atriz Beatriz Costa e a pintora Paula Rego? Além de serem todas mulheres, lutadoras, corajosas, independentes e livres… são Portuguesas com M Grande!
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Uma bela biografia da pintora mexicana Frida Kahlo ilustrada com imagens evocativas de Maria Hesse. A vida de Kahlo, desde a sua infância ao acidente traumático que mudaria a sua vida e a sua arte, o amor complicado por Diego Rivera e a feroz determinação que a levou a tornar-se uma grande artista…

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Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

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