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Entretanto ouço chamarem por mim. Está na hora de me confrontar com a realidade nua e crua da vida, de ir oferecer o meu corpo a troco de umas gotas de água e de uma mísera porção de comida que nem o mais vadio dos animais aceitaria comer. Não tenho direito a hesitar, a recusar, a ter medo ou a queixar-me. Sou mesmo obrigada a ir: a bem ou a mal. Caso contrário, sou arrastada à força por um braço, quando não é pelos cabelos, numa brutalidade extrema. Dizem que é o meu dever, resta-me aceitar o meu destino. Afinal de contas, sou apenas uma simples moeda de troca.
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A esperança média de vida aumentou mas a sociedade ainda não está preparada para cuidar dos mais velhos e dos enfermos. Estes cuidadores são tipicamente, segundo os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística, mulheres entre os 45 e 65 anos, com baixos rendimentos e baixa escolaridade. Num mundo tão globalizado mas ainda tão pouco igualitário, elas são o suporte emocional, físico e financeiro dos seus pais, sogros e filhos. São elas que, após a jornada de trabalho, dedicam quatro ou mais horas a cuidar dos seus. São elas que, sem qualquer remuneração, colocam a sua vida em espera, os seus sonhos e ambições, para dar a outros a dignidade que a vida já lhes tirou. E porquê elas? Porque é o seu dever, diz-lhes uma sociedade pouco igual, machista e conservadora.
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No centro das diferentes polémicas ao longo da própria história da Igreja Católica, está o facto das líderes das distintas congregações e participantes no Sínodo da Amazónia não terem voz nos debates, nem tampouco poder de voto. A este facto juntam-se os já conhecidos casos de abuso sexual que, segundo Doris Wanger, ex-religiosa e vítima de violação – chegam aos 40% dentro da Igreja - 10% antes das mulheres se juntarem à vida religiosa e 30% depois disso, havendo casos em que os sacerdotes obrigaram as freiras a abortar.
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A amamentação é recomendada pela OMS até aos dois anos de idade da criança, mas isso não pode eliminar a escolha da mulher. As mulheres que não querem, não podem ou não conseguem amamentar têm todo o direito de se recusarem a fazê-lo sem se sentirem mães falhadas. O leite materno é o alimento ideal para os recém-nascidos mas não é o único alimento disponível e existem muitos fatores a considerar na hora de decidir. Amamentar é brutal, exigente e cansativo, especialmente nos primeiros meses. Nem toda a gente é igual, nem toda a gente quer as mesmas coisas ou tem as mesmas prioridades, e isso não nos torna melhores ou piores que os outros: apenas diferentes. Não é justo que uma mulher se sinta menos mãe ou menos mulher por não amamentar o seu bebé.
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Foi um ponto de viragem. O meu ponto de viragem. Percebi que não tinha de admitir nem mais um minuto ser tratada com desrespeito e essa tomada de consciência fez-me ter orgulho em mim. Passei a investir mais, a pensar em como poderia ser melhor, dependendo apenas de mim e aprendendo com as situações que iam surgindo. Demorei muito a conseguir cultivar um pouco de amor-próprio e ainda hoje é difícil manter esse espírito, essa determinação, porque quase todos os dias surgem pequenas situações que me dizem que não sou suficiente, que não sou bonita, que devo sentir-me mal por ser gorda.
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#DitadosImpopulares #vamosganharalutacontraaviolência #portugalmaisigual
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Às amigas que não cobram as vezes em que desmarcamos à última da hora um encontro porque os miúdos adoeceram ou as inúmeras vezes em que um “ligo-te já” se torna num “até para a semana”; Às amigas que não opinam sobre o facto de alimentarmos o nosso bebé com leite materno ou leite adaptado. Aos seus olhos só importa o que nos faz sentido; Às amigas que não exigem que finjamos que a vida não mudou ou que somos as mesmas;
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Perante isto, quer eu, quer os meus amigos, pudemos apenas chegar a uma conclusão: foram excluídos por serem gay. De novo, compreendo que seja uma festa essencialmente heterossexual, e não há algum nisso. É normal e saudável que haja ambientes mais queer e outros mais hétero na noite lisboeta. Como mulher heterossexual que frequente vários ambientes gay e queer, nunca fui impedida de entrar, nem barrada em algum destes ambientes. Nem nunca me fizeram sentir inadequada ou indesejada. Pelo contrário. No séc. XXI, é no mínimo lamentável que haja ambientes hétero com políticas hostis a pessoas LBGTI. E quando algumas dessas pessoas são impedidas de aceder a eventos abertos ao público apenas por serem LBGTI, é mais do que lamentável, é legalmente censurável.

Anália Torres, socióloga e feminista, herdou o nome da avó que lhe ensinou as coisas mais importantes que aprendeu na vida. Nesta entrevista ajuda-nos a perceber a origem das desigualdades entre homens e mulheres e o caminho a percorrer para que se dissipem. Um luxo e um prazer, ouvi-la.
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Entrevistas Destaques

  1. Porque te amas?
Amo-me já aceitei que não temos de ser perfeitas para sermos felizes.  
  1. Já qu...

ULTIMAS CRÓNICAS

Entretanto ouço chamarem por mim. Está na hora de me confrontar com a realidade nua e crua da vida, de ir oferecer o meu corpo a troco de umas gotas de água e de uma mísera porção de comida que nem o mais vadio dos animais aceitaria comer. Não tenho direito a hesitar, a recusar, a ter medo ou a queixar-me. Sou mesmo obrigada a ir: a bem ou a mal. Caso contrário, sou arrastada à força por um braço, quando não é pelos cabelos, numa brutalidade extrema. Dizem que é o meu dever, resta-me aceitar o meu destino. Afinal de contas, sou apenas uma simples moeda de troca.
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A esperança média de vida aumentou mas a sociedade ainda não está preparada para cuidar dos mais velhos e dos enfermos. Estes cuidadores são tipicamente, segundo os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística, mulheres entre os 45 e 65 anos, com baixos rendimentos e baixa escolaridade. Num mundo tão globalizado mas ainda tão pouco igualitário, elas são o suporte emocional, físico e financeiro dos seus pais, sogros e filhos. São elas que, após a jornada de trabalho, dedicam quatro ou mais horas a cuidar dos seus. São elas que, sem qualquer remuneração, colocam a sua vida em espera, os seus sonhos e ambições, para dar a outros a dignidade que a vida já lhes tirou. E porquê elas? Porque é o seu dever, diz-lhes uma sociedade pouco igual, machista e conservadora.
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No centro das diferentes polémicas ao longo da própria história da Igreja Católica, está o facto das líderes das distintas congregações e participantes no Sínodo da Amazónia não terem voz nos debates, nem tampouco poder de voto. A este facto juntam-se os já conhecidos casos de abuso sexual que, segundo Doris Wanger, ex-religiosa e vítima de violação – chegam aos 40% dentro da Igreja - 10% antes das mulheres se juntarem à vida religiosa e 30% depois disso, havendo casos em que os sacerdotes obrigaram as freiras a abortar.
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A amamentação é recomendada pela OMS até aos dois anos de idade da criança, mas isso não pode eliminar a escolha da mulher. As mulheres que não querem, não podem ou não conseguem amamentar têm todo o direito de se recusarem a fazê-lo sem se sentirem mães falhadas. O leite materno é o alimento ideal para os recém-nascidos mas não é o único alimento disponível e existem muitos fatores a considerar na hora de decidir. Amamentar é brutal, exigente e cansativo, especialmente nos primeiros meses. Nem toda a gente é igual, nem toda a gente quer as mesmas coisas ou tem as mesmas prioridades, e isso não nos torna melhores ou piores que os outros: apenas diferentes. Não é justo que uma mulher se sinta menos mãe ou menos mulher por não amamentar o seu bebé.
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Crónicas Destaque

Esperam que sejas magra. Atlética. Que corras todos os dias. Ou dia sim, dia não, vá. De depilação feita e unhas coloridas. Que faças bolos ao sábado. E que não tenhas as raízes do cabelo por fazer. Esperam que te comportes bem e que nunca bebas um copo a mais para não caíres em figuras ridículas. Que nunca sejas daquelas que urina entre dois carros, no meio do Cais do Sodré.

Voltou a olhar para mim, semicerrou os dentes e baixinho perguntou-me, pausadamente: “Com quantos gajos estiveste?”. Ele parecia furioso e eu fiquei com medo porque não sabia qual era, para ele, a resposta certa, mas arrisquei e respondi-lhe novamente, “Só contigo, Pedro. Conhecemo-nos pouco tempo depois de eu cá chegar”. Lembro-me de acordar no dia seguinte. Sentia dores no corpo todo, devia ser da ansiedade e daquela tensão. Já sabes que odeio discutir, sobretudo com ele. Tenho medo que se farte de mim...

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender. Que roupa estava a usar? Porque é que estava sozinha? Porque é que uma mulher quer viajar sem companhia?

Carol perdoa-lhes: acham que podem opinar sobre o teu decote, sobre o teu peito. Acham que têm o direito de te dizer o que podes ou não vestir #nomeudecotemandoeu

Ultimos Artigos

Este foi o tema da talk da Alison Jesus na edição de 2019 do TEDx Funchal. Este é um testemunho, um texto na primeira pessoa, com que vale a pena aprender: todos temos direito aos nossos sonhos e todos temos o dever de afastar as barreiras que possam impedir alguém de os cumprir.
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Vénus é o planeta do amor e da feminilidade, é o segundo planeta do sistema solar, é o planeta mais próximo da TERRA! O seu nome é...
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É assim tão estranho que haja homens, e suas mães, que queiram, para si (e para os seus filhos) uma mulher submissa, boa dona de casa? As mães daqueles rapazes cresceram (algumas) a ler estas revistas. Foram assim educadas pelos seus pais. Educaram assim os seus filhos. É um círculo vicioso, educacional, cultural, que vai mantendo instâncias e tradições machistas de profunda injustiça e desigualdade. Que trazem grande sofrimento, para mulheres e homens. Que geram muita violência. Que estão na base, também, da violência doméstica (e suas vítimas fatais).
2023

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Jovem, 25 anos, com mestrado, com licenciatura, com formação profissional, a frequentar pós-graduação, com experiência, extremamente motivada para pôr “as mãos à obra” e disposta a receber pouco por isso, até mesmo a ser um bocadinho explorada (mas atenção, nada de exageros!). Aparentemente são características que os empregadores procuram, certo?

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